terça-feira, 19 de junho de 2012

Ângela Rô Rô


Quando eu era criança, a aparição de Ângela Rô Rô na tevê me causava um estranhamento danado. Aquela mulher malucona, com aquela voz rouca e sotaque carioca fortíssimo, meu deus, quem era ela? Eu era novo demais pra sacar que se tratava de uma talentosíssima cantora que fora rotulada de maldita no meio musical, dado seus problemas de alcoolismo e violência doméstica.


Segundo suas próprias palavras, que podem ser encontradas em seu site, taqui sua definição:

AnAngela RoRo, Angela Maria Diniz Gonçalves, nascida no Rio de Janeiro, em Copacabana, a 5 de dezembro de 1949, criada em Ipanema e fecundada num carnaval em Vila Isabel.
Menina moça de colégio de freiras, mulher fêmea hippie do Arpoador, pura pura criança que desde os cinco anos teve contato com a música. Percussão, acordeom, piano, gaita, flauta, violão e suas cordas vocais são seus instrumentos.
Seu canto espontâneo feito mais com instinto do que técnica, é doce e selvagem, grave rouco e dotado de afinação livre e potência poderosa.
Como autora e compositora tem cem por cento de sua obra de boa qualidade, tendo destaques vários para criações extremamente felizes.
Conhecida com vítima da ditadura e de suas próprias fraquezas, Angela RoRo é uma personalidade bem humorada, inteligente e tem o tempo a seu favor, e fez em sua vida, desde 1999, uma mudança milagrosa!
Simples como Angela: boa vontade, humildade e amor à arte e à vida!

Eu gostei demais dessa descrição. Desavergonhada como ela. Sobre o lance da ditadura, isso rolou entre 1971 e 1974, quando ela fugiu pra Londres, cantar em pubs e restaurantes. Voltou pro Brasil pra se apresentar em casas noturnas de Ipanema, gravando seu primeiro disco em 1979.

Algumas boas entrevistas:




O trabalho seguinte, Escândalo (1981), apresentou uma capa em formato de jornal, com o título como manchete, fazendo alusão à grande exposição de Rô Rô na imprensa por ter sido acusada de agressão pela então namorada, a cantora Zizi Possi. A canção Escândalo dá título ao álbum e foi composta por Caetano Veloso.

Duas características aliadas da persona pública de Ângela Rô Rô são o temperamento forte e a tendência a escândalos. Numa das entrevistas a cantora foi levada a abandonar a apresentadora Cidinha Campos durante o programa, devido às sucessivas perguntas pessoais, desviando o centro de atenção da entrevista. Rô Rô defendeu-se da entrevistadora argumentando que estaria abusando ao acusá-la de ser uma pessoa violenta e ao fazer alusões nada lisonjeiras sobre uso de drogas e comportamento errático. A irreverência de Rô Rô, somada à boemia, acabaram de fato por torná-la uma artista maldita, acompanhada de canções de blues e jazz marcadas pelas emoções confusas. A artista representa uma vertente da MPB, de cantoras talentosas, ousadas, que fazem do personalismo uma tônica do trabalho e um ícone da sociedade. 

Durante os anos de 1990 lançou apenas 2 discos, em em 97 foi indiciada por tentativa de incêndio no prédio onde morava (!). Os anos 2000 foram melhores pra ela. Largou as drogas, emagreceu 35 quilos e lançou um premiado album chamado Acertei no Milênio. De 2004 a 2005 mantém um programa de entrevistas no Canal Brasil, chamado Escândalo. A seguir, o vídeo de um deles, com ela entrevistando o Ney Matogrosso.


Ângela causou demais pra ser reconhecida como a grande compositora e intérprete que é. Nesses casos a história nos mostra que é necessário um certo distanciamento temporal pra que o reconhecimento venha. Merecídíssimo, diga-se de passagem.


4 comentários:

  1. Bill, parabéns pelo post sobre Ângela. Percebo o cuidado na escolha de vídeos que, tão logo tenha tempo, assistirei a conta-gotas.

    Na realidade quero parabenizar a todos vocês deste blog. Há semanas travei contato com vocês e tô curtindo muito!

    (-;

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  2. Priscila,
    que bom que vc curtiu o post sobre a Ângela - e que tem curtido o blog no geral. Tento variar ao máximo as áreas das mulheres sobre as quais eu escrevo, espero que esteja funcionando.

    Se tiver alguma sugestão, manda aí.

    :D

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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