quinta-feira, 12 de abril de 2012

Irina Ionesco

Irina Ionesco nasceu em 1935, em Paris, França. Filha de imigrantes romenos, passou a infância por lá, antes de se mudar pra Paris em definitivo. Ainda jovem, fugiu de casa pra se juntar a um circo, onde foi domadora de cobras, bailarina e alvo de atirador de facas. Mas foi nos anos 60, depois de sofrer uma queda e não mais poder dançar, que Irina se aproximou das artes plásticas, através da pintura. Logo em seguida, botou as mãos numa Nikon e abraçou a fotografia.

Como vcs podem ver nas fotografias - sempre em preto e branco - que eu coloco a seguir, o trabalho de Irina é marcado por um erotismo mórbido, uma atmosfera carregada e decadente. Peças fetichistas, adornos exagerados, bijuterias baratas e um clima gótico de submissão sufocante. Enfim, um trabalho interessantíssimo.






















Mas um post sobre Irina nunca seria completo sem falar na série de fotografias que tirou de sua filha, que se tornou a exposição 'Eloge de ma Fille'. O negócio foi assim: quando sua filha Eva estava com 5 anos, sua mãe começou a fotografá-la, em poses sensuais, exatamente como fazia com suas modelos adultas. Essa série de fotos continuaram até os 10 anos da menina, formando toda uma temática que chocou público e crítica em fins dos anos 70 - e certamente ainda choca hoje, nessa época dominada por denuncias de pedofilia e tal.

Mas vale lembrar que a fotógrafa está inserida numa cultura que pretende quebrar barreiras - sobretudo sexuais - e que um olhar despido de preconceitos é fundamental pra mergulhar nesse espantoso trabalho que desnuda de forma tão forte o que é tornar-se mulher.
















Em 17 de dezembro de 2012, Irina foi condenada por um tribunal de Paris a pagar 10 mil euros à filha, por danos e atentado ao direito de imagem e à vida privada de sua filha, Eva, que deve receber os negativos das fotos de quando era criança. Pra entender melhor o rancor de Eva Ionesco, leia a postagem sobre ela neste blog.

2 comentários:

  1. Criança é criança em qualquer época. Como mãe, não consigo enxergar com normalidade. Aliás, muito do que era considerado aceitável na década de 80 por exemplo, hoje é visto com repúdio (apesar de as fotos serem da década de 70).

    ResponderExcluir